A nova bateria padrão brasileira para testes de contato foi proposta por especialistas da Sociedade Brasileira de Dermatologia, ampliando de 30 para 40 o número de substâncias incluídas na investigação da dermatite alérgica de contato.
A proposta resulta de um estudo multicêntrico publicado nos Anais Brasileiros de Dermatologia em 2026. A nova composição recebeu a denominação Bateria Padrão Brasileira para Testes de Contato GBEDC – 2025.
A publicação da nova composição representa uma atualização científica da bateria brasileira, mas não significa que ela já esteja disponível em todos os serviços. Sua incorporação à prática depende também da disponibilização das substâncias e da organização de cada local que realiza o exame.
O que é o teste de contato?
O teste de contato, também conhecido como patch test, é o principal exame utilizado para investigar a dermatite alérgica de contato.
Pequenas quantidades de substâncias capazes de provocar alergia, chamadas alérgenos ou haptenos, são aplicadas sobre a pele, geralmente no dorso, em câmaras específicas. Depois, o dermatologista realiza as leituras para verificar se ocorreu alguma reação.
O objetivo não é descobrir se a pessoa tem “alergia em geral”, mas identificar substâncias que possam estar relacionadas ao eczema apresentado pelo paciente.
Essas substâncias podem estar presentes em cosméticos, produtos de higiene, medicamentos tópicos, metais, borrachas, tecidos, calçados, fragrâncias, conservantes e materiais encontrados no ambiente doméstico ou profissional.
Por que a bateria precisava ser atualizada?
A bateria padrão utilizada no Brasil havia sido estabelecida em 2000 e continha 30 substâncias.
Desde então, os hábitos de consumo e as formulações dos produtos mudaram. Novos conservantes e ingredientes passaram a ser utilizados, enquanto algumas substâncias foram retiradas ou tiveram seu uso restringido.
Como as causas de sensibilização acompanham essas mudanças, a atualização periódica da bateria é importante para que o teste represente melhor as exposições atuais da população.
O que mudou na nova bateria padrão brasileira?
A nova composição passou de 30 para 40 substâncias.
Dos alérgenos presentes na bateria anterior, 19 foram mantidos e 11 retirados. Ao mesmo tempo, 21 novas substâncias foram incorporadas.
Entre as inclusões estão componentes relacionados a fragrâncias, cosméticos, produtos de higiene e medicamentos tópicos. A atualização busca ampliar a investigação de substâncias às quais os pacientes estão expostos atualmente.
A nova bateria foi proposta a partir de um estudo multicêntrico realizado entre 2023 e 2025, com a participação de 567 pacientes e dez serviços brasileiros.
Por que essa atualização é importante?
Identificar o alérgeno responsável pode modificar o tratamento da dermatite alérgica de contato.
Quando existe uma alergia de contato verdadeira, a utilização repetida de produtos que contenham aquela substância pode manter o eczema ativo, mesmo que o paciente esteja realizando corretamente o tratamento dermatológico.
O teste permite que o dermatologista relacione a reação encontrada às exposições reais do paciente e, quando houver relevância clínica, oriente quais substâncias e produtos devem ser evitados.
Uma bateria mais atual aumenta a possibilidade de investigar sensibilizantes compatíveis com os produtos utilizados atualmente pela população brasileira.
A bateria padrão é suficiente para todos os pacientes?
Não necessariamente.
A bateria padrão funciona como uma base para a investigação. Dependendo da idade, profissão, localização da dermatite, hobbies, cosméticos utilizados e história de exposição, pode ser necessário acrescentar outras baterias específicas ou substâncias selecionadas individualmente.
Também existem particularidades na investigação de crianças e adolescentes, para os quais a escolha dos alérgenos deve considerar as exposições próprias de cada faixa etária.
Um teste positivo confirma a causa da dermatite?
Não necessariamente.
Uma reação positiva demonstra que houve sensibilização àquela substância. Depois disso, o dermatologista precisa avaliar sua relevância clínica.
É necessário investigar se o paciente realmente entra em contato com o alérgeno, se ele está presente nos produtos utilizados e se a exposição é compatível com a localização e a evolução da dermatite.
Por isso, o teste de contato não deve ser interpretado apenas como uma lista de resultados positivos ou negativos. A interpretação precisa considerar a história clínica, o exame dermatológico e as exposições individuais do paciente.
Um avanço para o diagnóstico no Brasil
A proposta de atualização da bateria padrão representa um avanço importante na investigação da dermatite alérgica de contato no Brasil.
Mais do que aumentar o número de substâncias testadas, a nova composição busca tornar o exame mais adequado às exposições atuais dos pacientes brasileiros.
Referência científica
Bonamigo RR et al. A multicenter study by the Brazilian Society of Dermatology on a new standard patch test series. Anais Brasileiros de Dermatologia. 2026;101(2):501327.
Agendamento
Se seu filho apresenta dermatite persistente ou suspeita de alergia de contato, agende uma consulta para avaliação dermatológica.