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Dra Marcia Moreira Menocin – Dermatologista em Londrina

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Adolescentes

Tratamento sistêmico da dermatite atópica: quando é indicado?

11 de setembro de 2026 Por Dra. Marcia Menoncin
Tratamento sistêmico da dermatite atópica em criança durante consulta dermatológica

Quando pensamos em dermatite atópica, é comum imaginar hidratantes, pomadas e cremes anti-inflamatórios. E, de fato, o tratamento aplicado diretamente sobre a pele é suficiente para controlar a doença de muitas crianças.

Em algumas crianças e adolescentes, porém, pode chegar o momento de discutir o tratamento sistêmico da dermatite atópica.

Isso pode acontecer quando a doença é mais intensa, extensa, persistente ou recorrente. Em outras situações, nem é necessário que uma grande área da pele esteja acometida: a coceira, as alterações do sono, a localização das lesões ou a frequência das crises podem fazer com que a doença tenha um impacto desproporcional na vida da criança e de sua família.

O tratamento sistêmico é aquele que age no organismo e na resposta inflamatória envolvida na dermatite atópica.

Por que existem tratamentos sistêmicos para dermatite atópica?

A dermatite atópica é uma doença inflamatória crônica complexa, que envolve alteração da barreira da pele e participação do sistema imunológico, com diferentes moléculas envolvidas na manutenção da inflamação e da coceira.

Hoje existem tratamentos capazes de interferir de maneira direcionada em determinadas vias dessa inflamação, as chamadas terapias-alvo.

Entre elas estão os medicamentos biológicos e os inibidores de JAK, que ampliaram significativamente as possibilidades de tratamento sistêmico da dermatite atópica, inclusive na população pediátrica.

Quando considerar o tratamento sistêmico da dermatite atópica?

Não existe uma única resposta.

É preciso avaliar, em conjunto, a intensidade dos sinais e sintomas, a frequência das crises, a resposta ao tratamento já realizado e o impacto da dermatite atópica sobre a qualidade de vida.

Em outras palavras:

A decisão de tratar sistemicamente a dermatite atópica não depende apenas de quanto eczema existe na pele. Depende também de quanto a doença ocupa a vida daquela criança.

O sono é um dos pontos mais importantes

A coceira da dermatite atópica pode ser intensa e frequentemente piora à noite.

A criança coça, acorda, demora para voltar a dormir e pode repetir esse ciclo várias vezes durante a madrugada. Crianças pequenas podem acordar os pais repetidamente; crianças maiores e adolescentes podem passar a noite com sono fragmentado.

No dia seguinte, aparecem as consequências: cansaço, irritabilidade e dificuldade de concentração.

Quando uma criança pequena com dermatite atópica não dorme, muitas vezes a família inteira também não dorme.

Por isso, melhora da pele é importante, mas não é o único resultado que buscamos. Uma criança cuja pele parece melhor, mas continua acordando todas as noites para se coçar, ainda pode não apresentar um controle satisfatório da doença.

Antes de dizer que o tratamento tópico não funcionou, ele precisa estar otimizado

Antes de indicar um medicamento sistêmico, o dermatologista precisa revisar alguns pontos importantes.

O diagnóstico está correto? O medicamento prescrito é adequado para aquela localização e intensidade do eczema? Está sendo utilizado na quantidade e pelo tempo recomendados? A família conseguiu seguir o esquema proposto? Foi feita uma estratégia adequada de manutenção?

Também é importante investigar fatores que podem dificultar o controle da doença, como infecção secundária ou dermatite de contato associada.

Essas perguntas são importantes porque uma dermatite aparentemente “resistente” pode, algumas vezes, ser uma dermatite que ainda não recebeu um tratamento tópico adequadamente executado.

Criança pode usar tratamento sistêmico para dermatite atópica?

Sim, e esse talvez seja um dos pontos que mais mudou nos últimos anos.

Hoje existem terapias sistêmicas modernas estudadas e aprovadas para diferentes faixas etárias pediátricas. Algumas podem ser utilizadas desde os primeiros anos de vida, enquanto outras são destinadas a crianças maiores ou adolescentes.

O tratamento sistêmico substitui todos os cremes?

Não necessariamente.

Mesmo quando utilizamos uma terapia sistêmica, os cuidados com a barreira cutânea continuam importantes, e tratamentos tópicos podem ser necessários em determinadas fases ou regiões.

A diferença é que, quando o tratamento sistêmico funciona adequadamente, esperamos reduzir a atividade global da doença e, consequentemente, diminuir a necessidade de controlar repetidamente inúmeras áreas inflamadas apenas com medicamentos tópicos.

O que existe hoje além dos cremes?

Nas próximas matérias, vamos conversar separadamente sobre as principais opções de tratamento sistêmico da dermatite atópica na infância e adolescência:

Biológicos: o que são, como agem e qual é o seu papel no tratamento da dermatite atópica.

Inibidores de JAK: como esses medicamentos orais agem, por que podem apresentar resposta rápida e quais cuidados são necessários.

Imunossupressores convencionais: qual é o papel desses medicamentos atualmente.

E, finalmente, vamos comparar as opções e entender como idade, perfil da doença, segurança, velocidade de resposta e características de cada criança participam dessa escolha.

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